Exercício Resolvido de Dinâmica das Rotações
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Uma barra homogênea e de seção constante encontra-se apoiada pelas suas extremidades sobre o chão e contra uma parede. Determinar o ângulo máximo que a barra pode formar com o plano vertical para que permaneça em equilíbrio sem escorregar nos seguintes casos:
a) Se o coeficiente de atrito da barra com o chão é μ1 e o coeficiente de atrito da barra com a parede é μ2;
b) Se o coeficiente de atrito da barra com o chão e da barra com a parede são iguais a μ;
c) Se o coeficiente de atrito da barra com o chão é μ e o coeficiente de atrito da barra com a parede é nulo.

Solução:

a) A barra tem a tendência de escorregar e faz força horizontal no chão, o chão reage com a força de atrito Fat1, a barra também faz força vertical na parede, a parede reage com a força de atrito Fat2 (Figura 1-A).
A barra está apoiada sobre o chão, o chão reage com a força normal FN1, a barra também está apoiada contra a parede e a parede reage com a força normal FN2. Como a barra é homogênea e de seção constante adotamos a força peso aplicada ao centro da barra apontada verticalmente para baixo (Figura 1-B).
Figura 1
Observação: Do ponto de vista formal a força peso (P) aplicada no meio da barra pode ser decomposta em duas, uma componente paralela à barra (PP), em módulo
\[ \begin{gather} P_{\small P}=P\cos\theta \end{gather} \]
e outra componente normal ou perpendicular (PN), em módulo (Figura 2-A)
\[ \begin{gather} P_{\small N}=P\operatorname{sen}\theta \end{gather} \]
Figura 2

A componente paralela é transmitida pela barra até o chão, esta componente pode ser novamente decomposta em duas, uma componente normal ao chão (PPn), em módulo
\[ \begin{gather} P_{\small Pn}=P_{\small P}\cos\theta=P\cos\theta\cos\theta=P\cos^2\theta \end{gather} \]
esta componente é a responsável pela reação normal FN1. E outra componente paralela ao solo (PPp), em módulo (Figura 2-B)
\[ \begin{gather} P_{\small Pp}=P_{\small P}\operatorname{sen}\theta=P\cos\theta\operatorname{sen}\theta \end{gather} \]
Da Trigonometria que
\[ \begin{gather} \operatorname{sen}(a+b)=\operatorname{sen}a\cos b+\operatorname{sen}b\cos a \end{gather} \]
no problema a = b = θ
\[ \begin{gather} \operatorname{sen}(\theta+\theta)=\operatorname{sen}2\theta=\operatorname{sen}\theta\cos\theta+\operatorname{sen}\theta\cos\theta=2\operatorname{sen}\theta\cos\theta \\[5pt] \operatorname{sen}\theta\cos\theta=\frac{1}{2}\operatorname{sen}2\theta \end{gather} \]
e podemos reescrever
\[ \begin{gather} P_{\small Pp}=\frac{P}{2}\operatorname{sen}2\theta \end{gather} \]
esta componente é a responsável pela força de atrito Fat1.
A componente normal é transmitida pela barra até a parede, esta componente pode ser novamente decomposta em duas, uma componente normal à parede (PNn), em módulo (Figura 2-C)
\[ \begin{gather} P_{\small Nn}=P_{\small N}\cos\theta=P\operatorname{sen}\theta\cos\theta=\frac{P}{2}\operatorname{sen}2\theta \end{gather} \]
esta componente é a responsável pela reação normal FN2. E outra componente paralela à parede (PNp), em módulo
\[ \begin{gather} P_{\small Np}=P_{\small N}\operatorname{sen}\theta=P\operatorname{sen}\theta\operatorname{sen}\theta=P\operatorname{sen}^2\theta \end{gather} \]
esta componente é a responsável pela força de atrito Fat2.

Para que a barra permaneça em equilíbrio devemos impor as seguintes condições

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {\sum \mathbf F=0} \tag{I-a} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {\sum \mathbf N=0} \tag{I-b} \end{gather} \]
Desenhando as forças num sistema de eixos coordenados (Figura 3), e aplicando a condição de (I-a)
\[ \begin{gather} \mathbf F_{\small N2}-\mathbf F_{at1}+\mathbf F_{at2}+\mathbf F_{\small N1}-\mathbf P=0 \\[5pt] F_{\small N2}\;\mathbf j-F_{at1}\;\mathbf j+F_{at2}\;\mathbf k+F_{\small N1}\;\mathbf k-P\;\mathbf k=0 \end{gather} \]
onde j e k são os vetores unitários nas direções y e z, separando as componentes

Figura 3
  • Direção j:
\[ \begin{gather} F_{\small N2}-F_{at1}=0 \end{gather} \]

o módulo da força de atrito é dado por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {F_{at}=\mu N} \end{gather} \]

então reescrevemos para a força N = FN1

\[ \begin{gather} F_{\small N2}-\mu_1F_{\small N1}=0 \tag{II} \end{gather} \]
  • Direção k:
\[ \begin{gather} F_{at2}+F_{\small N1}-P=0 \end{gather} \]

então reescrevemos para a força N = FN2

\[ \begin{gather} \mu_2F_{\small N2}+F_{\small N1}-P=0 \tag{III} \end{gather} \]

Os torques das forças serão calculados em relação à metade da barra (onde está aplicada a força peso P).
O torque de uma força é dado por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {\mathbf N=\mathbf r\times\mathbf F} \tag{IV} \end{gather} \]

No cálculo do torque devido à força peso (P), a força (F) é a própria força peso, como o torque está sendo calculado em relação ao próprio centro da barra onde está aplicada a força peso, a distância será nula (r = 0),e portanto, o torque será

\[ \begin{gather} \mathbf N_{\small P}=0 \end{gather} \]

em módulo

\[ \begin{gather} N_{\small P}=0 \tag{V} \end{gather} \]

No cálculo do torque da força de atrito da barra com o chão o vetor posição (r1) vai do centro da barra até o chão e a força (F) é representada pela força de atrito (Fat1), Figura 4-A. Aplicando a expressão (IV)

\[ \begin{gather} \mathbf N_{at1}=\mathbf r_1\times\mathbf F_{at1} \end{gather} \]

Aplicando a regra da mão direita para o produto vetorial (levando o vetor r1 em direção ao vetor Fat1 – Figura 4-B) obtemos o vetor Nat1 perpendicular a estes dois (Figura 4-C).

Figura 4

O vetor Fat1 é perpendicular à vertical e o vetor r1 forma um ângulo θ com a vertical, então o ângulo entre estes vetores é \( \frac{\pi}{2}+\theta \), portanto, em módulo

\[ \begin{gather} N_{at1}=r_1F_{at1}\operatorname{sen}\left(\frac{\pi}{2}+\theta \right) \end{gather} \]

Adotando L para o comprimento da barra a distância do centro da barra ao ponto onde a força de atrito está aplicada será \( r_1=\frac{L}{2} \)

Da Trigonometria
\[ \begin{gather} \operatorname{sen}\left(\frac{\pi}{2}+\theta\right)=\underbrace{\operatorname{sen}\frac{\pi}{2}}_1\cos\theta+\operatorname{sen}\theta \underbrace{\cos \frac{\pi}{2}}_0=\cos\theta \end{gather} \]
\[ \begin{gather} N_{at1}=\frac{L}{2}F_{at1}\cos\theta \tag{VI} \end{gather} \]

No cálculo do torque da reação normal ao chão temos o vetor posição (r1) e a força (F) é representada pela reação normal (FN1), Figura 5-A. Aplicando a expressão (IV)

\[ \begin{gather} \mathbf N_{\small N1}=\mathbf r_1\times\mathbf F_{\small N1} \end{gather} \]

aplicando a regra da mão direita para o produto vetorial (levando o vetor r1 em direção ao vetor fn1 – Figura 5-B) obtemos o vetor nn1 perpendicular a estes dois (Figura 5-C).

Figura 5

O vetor FN1 é vertical para cima e o vetor r1 forma um ângulo θ com a vertical, então o ângulo entre estes vetores é   π−θ,   em módulo

\[ \begin{gather} N_{\small N1}=r_{\small N1}F_1\operatorname{sen}\left(\pi-\theta \right) \end{gather} \]

A distância do centro da barra ao ponto onde a reação normal está aplicada será novamente \( r_1=\frac{L}{2} \)

Lembrando da Trigonometria
\[ \begin{gather} \operatorname{sen}\left(\pi-\theta\right)=\underbrace{\operatorname{sen}\pi}_0\cos\theta-\operatorname{sen}\theta\underbrace{\cos\pi}_{-1}=\operatorname{sen}\theta \end{gather} \]
\[ \begin{gather} N_{\small N1}=\frac{L}{2}F_{\small N1}\operatorname{sen}\theta \tag{VII} \end{gather} \]

No cálculo do torque da força de atrito da barra com a parede o vetor posição (r2) vai do centro da barra até a parede e a força (F) é representada pela força de atrito (Fat2), Figura 6-A. Aplicando a expressão (IV)

\[ \begin{gather} \mathbf N_{at2}=\mathbf r_2\times\mathbf F_{at2} \end{gather} \]

Aplicando a regra da mão direita para o produto vetorial (levando o vetor r2 em direção ao vetor Fat2 – Figura 6-B) obtemos o vetor Nat2 perpendicular a estes dois (Figura 6-C).

Figura 6

O vetor Fat2 e o vetor r2 formam um ângulo θ, portanto, em módulo

\[ \begin{gather} N_{at2}=r_2F_{at2}\operatorname{sen}\theta \end{gather} \]

A distância do centro da barra ao ponto onde a força de atrito está aplicada será \( r_2=\frac{L}{2} \)

\[ \begin{gather} N_{at2}=\frac{L}{2}F_{at2}\operatorname{sen}\theta \tag{VIII} \end{gather} \]

No cálculo do torque da reação normal à parede o vetor posição (r2) vai do centro da barra até parede e a força (F) é representada pela força normal (FN2), Figura 7-A. Aplicando a expressão (IV)

\[ \begin{gather} \mathbf N_{\small N2}=\mathbf r_2\times\mathbf F_{\small N2} \end{gather} \]

Aplicando a regra da mão direita para o produto vetorial (levando o vetor r2 em direção ao vetor FN2 – Figura 7-B) obtemos o vetor NN2 perpendicular a estes dois (Figura 7-C).
O vetor FN2 é perpendicular à vertical e o vetor r2 forma um ângulo θ com a vertical, então o ângulo entre estes vetores é \( \frac{\pi}{2}+\theta \), portanto, em módulo

\[ \begin{gather} N_{\small N2}=r_2F_{\small N2}\operatorname{sen}\left(\frac{\pi}{2}+\theta \right) \end{gather} \]
Figura 7

A distância do centro da barra ao ponto onde a força normal está aplicada será novamente \( r_2=\frac{L}{2} \) e usando o seno da soma encontrado acima

\[ \begin{gather} N_{\small N2}=\frac{L}{2}F_{\small N2}\cos\theta \tag{IX} \end{gather} \]

Para que o sistema permaneça em equilíbrio aplicamos a condição de (I-b).
Adotando o sentido do torque NN1 como positivo (Figura 5-C)

\[ \begin{gather} N_{\small P}-N_{at1}+N_{\small N1}-N_{at2}-N_{\small N2}=0 \tag{X} \end{gather} \]

substituindo as expressões (VI), (VII), (VIII) e (XI) na expresssão (X)

\[ \begin{gather} 0-\frac{L}{2}F_{at1}\cos\theta+\frac{L}{2}F_{\small N1}\operatorname{sen}\theta-\frac{L}{2}F_{at2}\operatorname{sen}\theta-\frac{L}{2}F_{\small N2}\cos\theta=0 \\[5pt] \frac{L}{2}\left(-F_{at1}\cos\theta+F_{\small N1}\operatorname{sen}\theta-F_{at2}\operatorname{sen}\theta -F_{\small N2}\cos\theta\right)=0 \\[5pt] -F_{at1}\cos\theta+F_{\small N1}\operatorname{sen}\theta-F_{at2}\operatorname{sen}\theta-F_{\small N2}\cos\theta=0 \\[5pt] F_{\small N1}\operatorname{sen}\theta-F_{at2}\operatorname{sen}\theta=F_{at1}\cos\theta+F_{\small N2}\cos\theta \\[5pt] \operatorname{sen}\theta\left(F_{\small N1}-F_{at2}\right)=\cos\theta\left(F_{at1}+F_{\small N2}\right) \\[5pt] \frac{\operatorname{sen}\theta}{\cos\theta}=\frac{F_{at1}+F_{\small N2}}{F_{\small N1}-F_{at2}} \tag{XI} \end{gather} \]

sendo \( \operatorname{tg}\theta=\frac{\operatorname{sen}\theta}{\cos\theta} \) e usando as expressões para Fat1 e Fat2 acima

\[ \begin{gather} \operatorname{tg}\theta=\frac{\mu_1F_{\small N1}+F_{\small N2}}{F_{\small N1}-\mu_2F_{\small N2}} \tag{XII} \end{gather} \]

da expressão (II)

\[ \begin{gather} F_{\small N2}=\mu_1F_{\small N1} \tag{XIII} \end{gather} \]

substituindo a expressão (XIII) na expresssão (XII)

\[ \begin{gather} \operatorname{tg}\theta=\frac{\mu_1F_{\small N1}+\mu_1F_{\small N1}}{F_{\small N1}-\mu_2\mu_1F_{\small N1}} \\[5pt] \operatorname{tg}\theta=\frac{F_{\small N1}}{F_{\small N1}}\frac{(\mu_1+\mu_1)}{(1-\mu_1\mu_2)} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {\theta=\operatorname{arctg}\left(\frac{2\mu_1}{1-\mu_1\mu_2}\right)} \end{gather} \]

b) Usando o resultado do item anterior fazendo a seguinte substituição μ1 = μ2 = μ

\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {\theta=\operatorname{arctg}\left(\frac{2\mu}{1-\mu^2}\right)} \end{gather} \]

c) Usando o resultado do item (a) fazendo a substituição μ1 = μ e μ2 = 0

\[ \begin{gather} \theta=\operatorname{arctg}\left(\frac{2\mu}{1-\mu\times 0}\right) \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {\theta=\operatorname{arctg}2\mu} \end{gather} \]
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