Exercício Resolvido de Dinâmica
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No sistema da figura são conhecidas as massas m1 e m2. Calcule o ângulo θ e as tensões nas cordas para que o sistema permaneça em equilíbrio. Despreze a massa da roldana e os atritos.

Dados do problema:

  • Massa do bloco 1: m1;
  • Massa do bloco 2: m2.

Esquema do problema:

Figura 1

Isolamos os corpos e pesquisamos as forças em cada um deles.
Adotamos um sistema de referência com o vetor unitário j com sentido positivo para baixo.

Bloco 1:
  • P1: força peso do bloco 1;
  • T1: tração da corda.
Figura 2
Bloco 2:
  • P2: força peso do bloco 2;
  • T2: tração da corda.
Figura 3

Ponto de contato das trações T1, T2 e T4:

  • T1: tração na corda devido ao bloco 1;
  • T2: tração na corda devido ao bloco 2;
  • T3: tração na corda devido à fixação na parede.
Figura 4

A corda forma um ângulo θ com a parede, traçando uma linha vertical que passa pelo ponto de encontro dos três vetores, o ângulo entre o vetor T3 e a vertical também será θ, são ângulos alternos internos (Figura 4).

Polia:
  • T4: tração na corda que fixa a polia no teto.
Como a polia não tem massa ela não possui peso, sua função é alterar a direção da tração T2 e transferir essa tração para a tração T4 que atua no teto.
Figura 5

Solução:

Para que o sistema permaneça em equilíbrio temos a condição de que a somatória das forças que atuam sobre ele é zero

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {\sum \mathbf F=0} \end{gather} \]

Bloco 1:

\[ \begin{gather} \mathbf P_1+\mathbf T_1=0 \end{gather} \]

onde

\( \mathbf T_1=-T_1\;\mathbf j \)
\( \mathbf P_1=m_1g\;\mathbf j \)

\[ \begin{gather} m_1g\;\mathbf j-T_1\;\mathbf j=0 \end{gather} \]

Só existem componentes na direção j

\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {T_1=m_1g} \end{gather} \]

Bloco 2:

\[ \begin{gather} \mathbf P_2+\mathbf T_2=0 \end{gather} \]

onde

\( \mathbf T_2=-T_2\;\mathbf j \)
\( \mathbf P_2=m_2g\;\mathbf j \)

\[ \begin{gather} m_2g\;\mathbf j-T_2\;\mathbf j=0 \end{gather} \]

Só existem componentes na direção j

\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {T_2=m_2g} \end{gather} \]

Ponto de contato das trações T1, T2 e T3:

\[ \begin{gather} \mathbf T_1+\mathbf T_2+\mathbf T_3=0 \end{gather} \]

onde i e j são o vetores unitários nas direções x e y

\( \mathbf T_1=-m_1g\;\mathbf j \)
\( \mathbf T_2=m_2g\;\mathbf i \)
\( \mathbf T_3=-T_3\operatorname{sen}\theta\;\mathbf i+T_3\cos\theta\;\mathbf j \)

\[ \begin{gather} -m_1g\;\mathbf j+m_2g\;\mathbf i-T_3\operatorname{sen}\theta\;\mathbf i+T_3\cos\theta\;\mathbf j=0 \end{gather} \]

Separando as componentes

\[ \begin{gather} \left\{ \begin{matrix} \begin{aligned} m_2g-T_3\operatorname{sen}\theta=0 \\ -m_1g+T_3\cos\theta=0 \end{aligned} \end{matrix}\right. \\[10pt] \left\{ \begin{matrix} T_3\operatorname{sen}\theta=m_2g \\ T_3\cos\theta=m_1g \end{matrix}\right. \end{gather} \]

dividindo a primeira equação pela segunda

\[ \begin{gather} \frac{T_3\operatorname{sen}\theta}{T_3\cos\theta}=\frac{m_2g}{m_1g} \\[5pt] \frac{\operatorname{sen}\theta}{\cos\theta}=\frac{m_2}{m_1} \\[5pt] \operatorname{tg}\theta=\frac{m_2}{m_1} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {\theta=\operatorname{arctg}\left(\frac{m_2}{m_1}\right)} \end{gather} \]

Para encontrarmos T3 substituímos esse ângulo na primeira equação do sistema

\[ \begin{gather} T_3\operatorname{sen}\left[\operatorname{arctg}\left(\frac{m_2}{m_1}\right)\right]=m_2g \end{gather} \]
Das relações trigonométricas
\[ \operatorname{sen}\left(\operatorname{arctg}x\right)=\frac{x}{\sqrt{x^2+1}} \]
\[ \begin{gather} T_3\left(\frac{\dfrac{m_2}{m_1}}{\sqrt{\left(\dfrac{m_2}{m_1}\right)^2+1}}\right)=m_2g \\[5pt] T_3\frac{m_2}{m_1\sqrt{\left(\dfrac{m_2}{m_1}\right)^2+1}}=m_2g \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {T_3=m_1g\sqrt{\left(\frac{m_2}{m_1}\right)^2+1}} \end{gather} \]
Polia:

Como a polia não possui massa e atrito ela apenas transfere as trações aplicadas nas cordas. A tração T2, devido ao bloco 2, é transferida para o ponto de encontro das trações T1 e T3 (Figura 1), e da polia para o teto (Figura 5)
\[ \begin{gather} T_4=T_2 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {T_4=m_2g} \end{gather} \]
Observação: A relação trigonométrica \( \operatorname{sen}\left(\operatorname{arctg}x\right)=\frac{x}{\sqrt{x^2+1}} \) é obtida tomando-se um triângulo retângulo de hipotenusa a e catetos b e c com ângulo θ (Figura 6).
\[ \begin{gather} \operatorname{tg}\theta=\frac{b}{c} \tag{I} \end{gather} \]
Figura 6
\[ \begin{gather} \operatorname{tg}\theta=\operatorname{tg}\left(\operatorname{arctg}x\right)=x=\frac{x}{1} \tag{II} \end{gather} \]
igualando as expressões (I) e (II)
\[ \begin{gather} \frac{b}{c}=\frac{x}{1} \end{gather} \]
assim determinamos os catetos b e c
\[ \begin{gather} b=x \\[10pt] c=1 \end{gather} \]
A hipotenusa é encontrada usando o Teorema de Pitágoras
\[ \begin{gather} a^2=b^2+c^2 \\[5pt] a^2=x^2+1^2 \\[5pt] a=\sqrt{x^2+1^2\;} \end{gather} \]
O seno do ângulo θ será
\[ \begin{gather} \operatorname{sen}\theta=\frac{x}{\sqrt{x^2+1\;}} \end{gather} \]
Figura 7

Da expressão (II)
\[ \begin{gather} \theta=\operatorname{arctg}x \end{gather} \]
Portanto
\[ \begin{gather} \operatorname{sen}\left(\operatorname{arctg}x\right)=\frac{x}{\sqrt{x^2+1}} \end{gather} \]
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