Exercício Resolvido de Energia, Trabalho e Potência
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Um corpo de massa 100 g é abandonado no ponto A sobre uma superfície cilíndrica, com abertura de 150°, sem atrito, cujo o eixo é horizontal e normal ao plano da figura em O. Os pontos A e O estão sobre o mesmo nível a 5 m acima do solo e o raio da superfície mede 1,6 m. Ao atingir o ponto B o corpo abandona a superfície e atinge o solo no ponto C.

Determinar:
a) O módulo da velocidade do corpo no ponto B;
b) O módulo da velocidade do corpo no ponto C;
c) A distância CD;
d) As energias cinética, potencial e mecânica total no ponto A;
e) As energias cinética, potencial e mecânica total no ponto B;
f) As energias cinética, potencial e mecânica total no ponto C.
Adote g = 10 m/s2.

Dados do problema:

  • Massa do corpo: m = 100 g;
  • Raio da superfície cilíndrica: r = 1,6 m;
  • Ângulo de abertura da superfície: θ = 150°;
  • Altura inicial do corpo: hA = 5 m;
  • Aceleração da gravidade: g = 10 m/s2.

Esquema do problema:

Adotamos um Nível de Referência (N.R.) no solo. O corpo é abandonado com a velocidade inicial nula em A, vA = 0, ele desliza pela superfície cilíndrica até o ponto B, onde abandona a superfície descrevendo uma trajetória parabólica como um projétil até o ponto C (Figura 1).
Figura 1

Solução:

Em primeiro lugar devemos converter a massa do corpo dada em gramas (g) para quilogramas (kg) usado no Sistema Internacional de Unidades (S.I.)

\[ \begin{gather} m=100\;\mathrm{\cancel g}\times\frac{1\;\mathrm{kg}}{1000\;\mathrm{\cancel g}}=1\times 10^2\times\frac{1\;\mathrm{kg}}{1\times 10^3}=1\times 10^2\times 10^{-3}\;\mathrm{kg}=1\times 10^{-1}\;\mathrm{kg}=0,1\;\mathrm{kg} \end{gather} \]

a) Para determinarmos a velocidade no ponto B usamos o Princípio da Conservação da Energia, a energia mecânica no ponto A deve ser igual à energia em B. No ponto A o corpo possui apena Energia Potencial devido a altura em relação ao nível de referência, a Energia Cinética é igual a zero, inicialmente o corpo está em repouso. No ponto B o corpo possui Energia Potencial devido a altura em relação ao nível de referência e Energia Cinética devido a velocidade que ele possui

\[ \begin{gather} E_m^{\small A}=E_m^{\small B} \\[5pt] E_p^{\small A}=E_p^{\small B}+E_c^{\small B} \end{gather} \]

a Energia Cinética é dada por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {E_c=\frac{mv^2}{2}} \end{gather} \]

a Energia Potencial é dada por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {E_p=mgh} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \cancel mgh_{\small A}=\cancel mgh_{\small B}+\frac{\cancel mv_{\small B}^2}{2} \\{5pt} gh_{\small A}=gh_{\small B}+\frac{v_{\small B}^2}{2} \tag{I} \end{gather} \]
Pela Figura 2
\[ \begin{gather} h_{\small A}=h+h_{\small B} \end{gather} \]
portanto a altura do ponto B será de
\[ \begin{gather} h_{\small B}=h_{\small A}-h \tag{II} \end{gather} \]
O segmento \( \overline{OP} \) é horizontal, como o ângulo de abertura da superfície cilíndrica é de 150°, o ângulo \( P\hat{O}B \) será de 30° (180°−150°=30°).
Figura 2

Como o segmento \( \overline{OB} \) é um raio do cilindro e representa a hipotenusa do triângulo ΔPOB

\[ \begin{gather} \operatorname{sen}30°=\frac{\text{cateto oposto}}{\text{hipotenusa}}=\frac{h}{r} \end{gather} \]

da Trigonometria temos que \( \operatorname{sen}30°=\frac{1}{2} \)

\[ \begin{gather} \frac{1}{2}=\frac{h}{1,6} \\[5pt] h=\frac{1,6}{2} \\[5pt] h=0,8\;\mathrm m \tag{III} \end{gather} \]

substituindo a equação (III) na equação (II) e a altura do ponto A dada no problema, a altura do ponto B será de

\[ \begin{gather} h_{\small B}=5-0,8 \\[5pt] h_{\small B}=4,2\;\mathrm m \tag{IV} \end{gather} \]
substituindo a equação (IV) na equação (I) e os dados do problema (Figura 3)
\[ \begin{gather} 10\times 5=10\times 4,2+\frac{v_{\small B}^2}{2} \\[5pt] 50=42+\frac{v_{\small B}^2}{2} \\[5pt] 50-42=\frac{v_{\small B}^2}{2} \\[5pt] v_{\small B}^2=2\times 8\\[5pt] v_{\small B}^2=16 \\[5pt] v_{\small B}=\sqrt{16\;} \end{gather} \]
Figura 3
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {v_{\small B}=4\;\mathrm{m/s}} \end{gather} \]

b) Para determinarmos a velocidade no ponto C usamos o Princípio da Conservação da Energia, a energia mecânica no ponto A deve ser igual à energia em C. No ponto A temos a mesma situação do item (a), no ponto C o corpo possui enercia cinética devido a velocidade e a Energia Potencial é nula, a altua em relação ao nível de referência é zero, hC = 0

\[ \begin{gather} E_m^{\small A}=E_m^{\small C} \\[5pt] E_p^{\small A}+E_c^{\small A}=E_p^{\small C}+E_c^{\small C} \\[5pt] \cancel mgh_{\small A}=\frac{\cancel mv_c^2}{2} \\[5pt] gh_{\small A}=\frac{v_c^2}{2} \tag{V} \end{gather} \]
substituindo os dados do problema
Figura 4
\[ \begin{gather} 10\times 5=\frac{v_c^2}{2} \\[5pt] 50=\frac{v_c^2}{2} \\[5pt] v_c^2=2\times 50 \\[5pt] v_c^2=100 \\[5pt] v_c=\sqrt{100\;} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {v_c=10\;\mathrm{m/s}} \end{gather} \]

c) No ponto B o movimento pode ser decomposto nas direções x e y. Pela Figura 5-B vemos que no movimento ao longo da direção x temos que para intervalos de tempos iguais temos intervalos de espaços iguais (Δx1 = Δx2 = Δx3 = Δx4 = Δx5). Na direção y temos que durante a subida para intervalos de tempos iguais temos intervalos de espaços menores, pois a esfera está sendo freada pela ação da gravidade (Δy1 > Δy2) até que a velocidade vy seja igual a zero, e então a gravidade puxa o corpo de volta em direção ao solo com velocidade acelerada, assim para intervalos de tempos iguais temos intervalos de espaços cada vez maiores (Δy3 < Δy4 < Δy5).

Figura 5

A velocidade no ponto B pode ser decomposta ao longo dos eixos x e y. A velocidade inicial vB, com que a esfera deixa a superfície, tem componentes nas direções x e y (Figura 5-A)

\[ \begin{gather} v_{\small Bx}=v_{\small B}\cos 60° \\[10pt] v_{\small By}=v_{\small B}\operatorname{sen}60° \end{gather} \]

Da Trigonometria temos que \( \cos 60°=\frac{1}{2} \) e \( \operatorname{sen}60°=\frac{\sqrt{3\;}}{2} \) e usando o valor de vB obtido no item (a)

\[ \begin{gather} v_{\small Bx}=4\times\frac{1}{2} \\[5pt] v_{\small Bx}=2\;\mathrm{m/s} \tag{VI} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} v_{\small By}=4\times\frac{\sqrt{3\;}}{2}v_{\small B} \\[5pt] v_{\small By}=2\sqrt{3\;}\;\mathrm{m/s} \tag{VII} \end{gather} \]

Da decomposição do movimento vemos que na direção x não há aceleração atuando sobre a esfera, então ela está em Movimento Uniforme (M.U.) e seu movimento é dado por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {S_x=S_{0x}+v_xt} \end{gather} \]

como no movimento uniforme vx = vBx é constante podemos substituir vx pelo valor encontrado em (VI) e S0x = 0

\[ \begin{gather} S_x=0+2t \\[5pt] S_x=2t \tag{VIII} \end{gather} \]

Na direção y a esfera está sob a ação da aceleração da gravidade, portanto está em queda livre dado por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {S_y=S_{0y}+v_{\small By}t-\frac{g}{2}t^2} \end{gather} \]

o sinal de negativo indica que a aceleração da gravidade está contra a orientação do referencial, substituindo vBy pelo valor encontrado em (VII) e S0y = 4,2 m

\[ \begin{gather} S_y=4,2+2\sqrt{3\;}t-10\frac{t^2}{2} \\[5pt] S_y=4,2+2\sqrt{3\;}t-5t^2 \tag{IX} \end{gather} \]

Quando o corpo atinge o solo no ponto C, que está no Nível de Referência, temos que o espaço final ao longo do eixo-y é nulo (Sy = 0)

\[ \begin{gather} -5t^2+2\sqrt{3\;}t+4,2=0 \end{gather} \]

esta é uma Equação do 2.º Grau onde a incógnita é o valor de t

Solução de \( -5t^2+2\sqrt{3\;}t+4,2=0 \)
\[ \begin{gather} \Delta=b^2-4ac=(2\sqrt{3\;}\;)^2-4\times(-5)\times 4,2=4\times 3+20\times 4,2=12+84=96 \\[10pt] t=\frac{-b\pm\sqrt{\Delta }}{2a}=\frac{-2\sqrt{3\;}\pm\sqrt{96\;}}{2\times\left(-5\right)}=\frac{-2\times 1,73\pm 9,80}{-10}=\frac{-3,46\pm 9,80}{-10} \end{gather} \]
onde a raízes serão
\[ \begin{gather} t_1=\frac{-3,46+9,80}{-10}=-0,6 \\[5pt] \text{e} \\[5pt] t_2=\frac{-3,46-9,80}{-10}=1,3 \end{gather} \]

Desprezando a primeira raiz que tem valor negativo (t1 < 0), o intervalo tempo para a esfera atingir o chão será t = 1,3 s. Como o intervalo de tempo para a esfera subir e descer é o mesmo que ela leva para ir percorrer a distância CD ao longo do eixo-x, substituindo este intervalo de tempo na equação (VIII)

\[ \begin{gather} S_x=2\times 1,3 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {S_x=2,6\;\mathrm m} \end{gather} \]

d) Energia Cinética no ponto A

\[ \begin{gather} E_c^{\small A}=\frac{mv_{\small A}^2}{2} \\[5pt] E_c^{\small A}=\frac{0,1\times 0^2}{2} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_c^{\small A}=0\;\mathrm J} \end{gather} \]

Energia Potencial no ponto A

\[ \begin{gather} E_p^{\small A}=mgh_{\small A} \\[5pt] E_p^{\small A}=0,1\times 10\times 5 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_p^{\small A}=5\;\mathrm J} \end{gather} \]

Energia Mecânica Total no ponto A

\[ \begin{gather} E_m^{\small A}=E_c^{\small A}+E_p^{\small A} \\[5pt] E_m^{\small A}=0+5 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_m^{\small A}=5\;\mathrm J} \end{gather} \]

e) Energia Cinética no ponto B

\[ \begin{gather} E_c^{\small B}=\frac{mv_{\small B}^2}{2} \\[5pt] E_c^{\small B}=\frac{0,1\times 4^2}{2} \\[5pt] E_c^{\small B}=\frac{0,1\times 16}{2} \\[5pt] E_c^{\small B}=\frac{1,6}{2} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_c^{\small B}=0,8\;\mathrm J} \end{gather} \]

Energia Potencial no ponto B

\[ \begin{gather} E_p^{\small B}=mgh_{\small B} \\[5pt] E_p^{\small B}=0,1\times 10\times 4,2 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_p^{\small B}=4,2\;\mathrm J} \end{gather} \]

Energia Mecânica Total no ponto B

\[ \begin{gather} E_m^{\small B}=E_c^{\small B}+E_p^{\small B} \\[5pt] E_m^{\small B}=0,8+4,2 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_m^{\small B}=5\;\mathrm J} \end{gather} \]

f) Energia Cinética no ponto C

\[ \begin{gather} E_c^{\small C}=\frac{mv_c^2}{2} \\[5pt] E_c^{\small C}=\frac{0,1\times 10^2}{2} \\[5pt] E_c^{\small C}=\frac{0,1\times 100}{2} \\[5pt] E_c^{\small C}=\frac{10}{2} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_c^{\small C}=5\;\mathrm J} \end{gather} \]

Energia Potencial no ponto C

\[ \begin{gather} E_p^{\small C}=mgh_c \\[5pt] E_p^{\small C}=0,1\times 10\times 0 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_p^{\small C}=0\;\mathrm J} \end{gather} \]

Energia Mecânica Total no ponto C

\[ \begin{gather} E_m^{\small C}=E_c^{\small C}+E_p^{\small C} \\[5pt] E_m^{\small C}=5+0 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {E_m^{\small C}=5\;\mathrm J} \end{gather} \]
Observação: Nos pontos A, B e C as energias cinética e potencial têm valores diferentes dependendo das velocidades e das alturas, respectivamente, mas a energia mecânica total é sempre a mesma, uma vez que não há perdas e dissipações.
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