Exercício Resolvido de Energia, Trabalho e Potência
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Um motociclista, em um globo da morte, imprime ao seu veículo uma velocidade mais que suficiente para passar pelo topo sem cair. Nessas condições desliga o motor e sem usar os freios passa a descrever uma circunferência situada num plano vertical. Desprezando o atrito e supondo P o peso da moto e seu ocupante, calcule:
a) A diferença entre as reações do globo no ponto mais baixo e mais alto da trajetória (N2N1);
b) O valor de N3, reação do globo no ponto D, supondo que N1=2P.

Dado do problema:

  • Peso da moto e do piloto: P;
  • Reação em N1: N1=2P;
  • Adotamos M para a massa do conjunto moto e piloto e g para a aceleração da gravidade.

Solução:

a) Isolando os corpos e aplicando a 2.ª Lei de Newton para o movimento circular
\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {{\vec F}_{cp}=m{\vec a}_{cp}} \tag{I} \end{gather} \]
No conjunto moto e piloto atuam as seguintes forças (Figura 1)
  • \( \vec P \): força peso;
  • \( {\vec N}_1 \): reação normal do globo sobre o conjunto.
Aplicando a equação (I)
\[ \begin{gather} P+N_1=ma_{cp} \tag{II} \end{gather} \]
Figura 1

a aceleração centrípeta é dada por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {a_{cp}=\frac{v^2}{r}} \tag{III} \end{gather} \]

sendo v1 a velocidade da moto no ponto desejado e R o raio do globo, substituindo a equação (III) na equação (II)

\[ \begin{gather} P+N_1=M\frac{v_1^2}{R} \tag{IV} \end{gather} \]
No ponto mais baixo do globo (Figura 2), isolando os corpos e aplicando a equação (I)
\[ \begin{gather} N_2-P=M\frac{v_2^2}{R} \tag{V} \end{gather} \]
Para encontrarmos a velocidade no ponto mais baixo do globo v2 em função da velocidade na parte superior v1 usamos o Princípio da Conservação da Energia Mecânica
\[ \begin{gather} E_m^1=E_m^2 \end{gather} \]
Adotamos a parte mais baixa do globo como Nível de Referência (N.R.), Figura 3, na parte mais alta (1) o corpo tem Energia Cinética e Energia Potencial e na parte mais baixa (2) apenas Energia Cinética
\[ \begin{gather} E_p^1+E_c^1=E_c^2 \tag{VI} \end{gather} \]
Figura 2

a Energia Potencial é dada por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {E_p=mgh} \tag{VII} \end{gather} \]

a Energia Cinética é dada por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {E_c=\frac{mv^2}{2}} \tag{VIII} \end{gather} \]

substituindo as equações (VII) e (VIII) na equação (VI) para as situações 1 e 2

\[ \begin{gather} \frac{\cancel Mv_1^2}{2}+\cancel Mg(2R)=\frac{\cancel Mv_2^2}{2} \end{gather} \]
multiplicando ambos os lados da euquação por 2
\[ \begin{gather} \qquad \qquad \frac{v_1^2}{2}+2gR=\frac{v_2^2}{2}\qquad (\times 2) \\[5pt] \cancel 2\times\frac{v_1^2}{\cancel 2}+ 2.2gR=\cancel 2\times\frac{v_2^2}{\cancel 2} \\[5pt] v_2^2=v_1^2+4gR \tag{IX} \end{gather} \]
Substituindo a equação (IX) na equação (V)
\[ \begin{gather} N_2-P=\frac{M}{R}(v_1^2+4gR) \\[5pt] N_2-P=M\frac{v_1^2}{R}+\frac{4Mg\cancel R}{\cancel R} \end{gather} \]
Figura 3

Do lado direito da igualdade o primeiro termo é dado pela equação (IV)

\[ \begin{gather} N_2-P=P+N_1+4Mg \\[5pt] N_2-N_1=P+P+4Mg \tag{X} \end{gather} \]

a força peso é dada por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {P=mg} \tag{XI} \end{gather} \]

substituindo a equação (XI) na equação (X) para m=M

\[ \begin{gather} N_2-N_1=P+P+4P \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {N_2-N_1=6P} \end{gather} \]

b) Para o cálculo de N3 aplicamos a equação (I) à situação mostrada na Figura 4. Na direção radial (no desenho representado pela horizontal em direção ao centro do globo) a resultante das forças é dada apenas pela reação N3
\[ \begin{gather} N_3=M\frac{v_3^2}{R} \tag{XII} \end{gather} \]
Para o cálculo de v3 usamos novamente o Princípio da Conservação da Energia Mecânica
\[ \begin{gather} E_m^1=E_m^3 \end{gather} \]
Figura 4
Novamente sendo a parte mais baixa do globo como Nível de Referência (N.R.), nos pontos (1) e (3) o corpo tem energias cinética e potencial (Figura 5)
\[ \begin{gather} E_p^1+E_c^1=E_p^3+E_c^3 \\[5pt] 2\cancel MgR+\frac{\cancel Mv_1^2}{2}=\cancel MgR+\frac{\cancel Mv_3^2}{2} \end{gather} \]
multiplicando ambos os lados da equação por 2
Figura 5
\[ \begin{gather} \qquad \qquad 2gR+\frac{v_1^2}{2}=gR+\frac{v_3^2}{2}\qquad (\times 2) \\[5pt] 2.2gR+\cancel 2\times\frac{v_1^2}{\cancel 2}=2gR+\cancel 2\times\frac{v_3^2}{\cancel 2} \\[5pt] v_3^2=v_1^2+4gR-2gR \\[5pt] v_3^2=v_1^2+2gR \tag{XIII} \end{gather} \]

Substituindo o valor de \( v_3^2 \) obtido na equação (XIII) na equação (XII)

\[ \begin{gather} N_3=\frac{M}{R}(v_1^2+2gR) \\[5pt] N_3=M\frac{v_1^2}{R}+\frac{2Mg\cancel R}{\cancel R} \end{gather} \]

Do lado direito da igualdade o primeiro termo é dado pela equação (IV)

\[ \begin{gather} N_3=P+N_1+2Mg \end{gather} \]

usando o dado do problema que N1 = 2P

\[ \begin{gather} N_3=P+2P+2P \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {N_3=5P} \end{gather} \]
Observação: Poderíamos ter adotado o Nível de Referência (N.R.) passando pelo centro do globo e pelo ponto (3). Neste caso no ponto (1) o conjunto teria energias potencial e cinética e no ponto (3) somente energia cinética (Figura 6).
\[ \begin{gather} E_p^1+E_c^1=E_c^3 \\[5pt] MgR+\frac{Mv_1^2}{2}=\frac{Mv_3^2}{2} \\[5pt] \qquad \qquad gR+\frac{v_1^2}{2}=\frac{v_3^2}{2}\qquad (\times 2) \\[5pt] 2gR+2\times\frac{v_1^2}{2}=2\times\frac{v_3^2}{2} \\[5pt] v_3^2=v_1^2+2gR \end{gather} \]
Figura 6
Aplicando o Princípio da Conservação da Energia Mecânica isto levaria ao mesmo resultado para \( v_3^2 \) obtido anteriormente.
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