Uma pequena esfera de massa m é introduzida num recipiente cuja superfície interna é um hemisfério
de raio R. O recipiente gira em torno do eixo vertical com velocidade angular ω.
Determinar:
a) A intensidade da força que a esfera faz contra a parede;
b) O raio da circunferência descrita pela esfera quando em equilíbrio em relação
ao recipiente.
Dados do problema:
- Massa da esfera: m;
- Raio do hemisfério: R;
- Velocidade angular do hemisfério: ω.
Esquema do problema:
O recipiente está girando e a esfera no seu interior fica equilibrada a uma determinada altura na superfície
interma. Este sistema é equivalente a um recipiente em repouso com uma esfera girando no seu interior com
velocidade ω.
As forças que atuam na esfera são a força peso
\(\vec P \)
verticalmente para baixo, a força normal de reação
\( \vec N \)
perpendicular à parede do hemisfério, apontada para o centro do hemisfério (Figura 1-A).
O hemisfério possui um raio R, a distância d é medida entre o centro do hemisfério e o centro
da circunferência de raio r descrita pela esfera (Figura 1-B).
Solução:
Desenhando as forças em um sistema de eixos coordenados
xy podemos aplicar a
2.ª Lei de Newton para o movimento circular
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{{\vec F}_{cp}=m{\vec a}_{cp}} \tag{I}
\end{gather}
\]
a) A força que a esfera faz contra a parede do hemisfério é igual, em intensidade, a força que o
hemisfério faz sobre a esfera. Estas forças formam um par de forças de ação e reação, conforme a
3.ª Lei de Newton.
A força centrípeta resultante
\( {\vec F}_{cp} \)
é dada pela componente da força normal na direção x,
\( {\vec N}_x \)
(Figura 2)
\[
\begin{gather}
F_{cp}=N_x \tag{II}
\end{gather}
\]
a componente Nx é dada por
\[
\begin{gather}
N_x=N\cos\theta \tag{III}
\end{gather}
\]
o cosseno será dado por (Figura 1-B)
\[
\begin{gather}
\cos\theta=\frac{r}{R} \tag{IV}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (IV) na equação (III)
\[
\begin{gather}
N_x=N\frac{r}{R} \tag{V}
\end{gather}
\]
A aceleração centrípeta é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{a_{cp}=\frac{v^2}{r}} \tag{VI}
\end{gather}
\]
a velocidade em função da velocidade angular é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{v=\omega r} \tag{VII}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (VII) na equação (VI)
\[
\begin{gather}
a_{cp}=\frac{(\omega r)^2}{r} \\[5pt]
a_{cp}=\frac{\omega^2r^{\cancel 2}}{\cancel r} \\[5pt]
a_{cp}=\omega^2r \tag{VIII}
\end{gather}
\]
Substituindo as equações (V) e (VIII) na equação (I)
\[
\begin{gather}
N\frac{\cancel r}{R}=m\omega^2\cancel r
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
\bbox[#FFCCCC,10px]
{N=Rm\omega^2}
\end{gather}
\]
b) Na direção y não há movimento, a força peso
\( \vec P \)
e a componente da força normal de reação
\( {\vec N}_y \)
se anulam.
\[
\begin{gather}
P=N_y \tag{IX}
\end{gather}
\]
a força peso é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{P=mg} \tag{X}
\end{gather}
\]
a componente Ny é dada por
\[
\begin{gather}
N_y=N\operatorname{sen}\theta \tag{XI}
\end{gather}
\]
o seno será dado por (Figura 1-B)
\[
\begin{gather}
\operatorname{sen}\theta=\frac{d}{R} \tag{XII}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (XII) e o resultado da força normal encontrada no item anterior na equação (XI)
\[
\begin{gather}
N_y=Rm\omega^2\frac{d}{R} \tag{XIII}
\end{gather}
\]
substituindo as equações (X) e (XIII) na equação (IX)
\[
\begin{gather}
\cancel mg=\cancel R\cancel m\omega^2\frac{d}{\cancel R} \\[5pt]
g=\omega^2d \\[5pt]
d=\frac{g}{\omega^2} \tag{XIV}
\end{gather}
\]
Aplicando o Teorema de Pitágoras ao triângulo da Figura 1-B
\[
\begin{gather}
R^2=d^2+r^2
\end{gather}
\]
substituindo o valor de d encontrado em (XIV)
\[
\begin{gather}
R^2=\left(\frac{g}{\omega^2}\right)^2+r^2 \\[5pt]
R^2=\frac{g^2}{\omega^4}+r^2 \\[5pt]
r^2=R^2-\frac{g^2}{\omega^4}
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
\bbox[#FFCCCC,10px]
{r=\sqrt{R^2-\frac{g^2}{\omega^4}\;}}
\end{gather}
\]