Um plano inclinado foi suspenso de modo que as massas m e M estão ligadas pelos dois lados
pelas cordas 1 e 2, conforme figura. Desprezando as massas das cordas e os atritos nas
polias e sendo dados o ângulo de inclinação do plano igual à θ e a aceleração da gravidade
g, determine:
a) A aceleração do conjunto, sabendo que a massa M está descendo o plano;
b) A diferença entre as tensões T1 e T2.
Dados do problema:
- Massa do bloco 1: M;
- Massa do bloco 2: m;
- Ângulo de inclinação do plano: θ;
- Aceleração da gravidade: g.
Esquema do problema:
A aceleração do sistema está no sentido do bloco de massa M descendo o plano e a massa m
subindo (Figura 1).
Solução:
Isolando os corpos e pesquisando as forças que atuam em cada um deles e aplicamos a
2.ª Lei de Newton
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{\vec F=m\vec a} \tag{I}
\end{gather}
\]
Bloco 1:
- \( {\vec P}_{\small M} \): força peso do bloco 1;
- \( \vec N \): força normal de reação do plano sobre o bloco 1;
- \( {\vec T}_1 \): força de tensão na corda 1;
- \( {\vec T}_2 \): força de tensão na corda 2.
Adotamos um sistema de referência xy, com o eixo-x paralelo ao plano inclinado e sentido
descendente (Figura 2-A).
A força peso
\( {\vec P}_{\small M} \)
pode ser decomposta em duas componentes, uma componente paralela ao eixo-x,
\( {\vec P}_{\small P} \),
e a outra componente normal ou perpendicular
\( {\vec P}_{\small N} \).
No triângulo à direita na Figura 2-B vemos que a força peso
\( {\vec P}_{\small M} \)
é perpendicular ao plano horizontal, forma um ângulo de 90°, o ângulo entre o plano inclinado e o plano
horizontal é igual à θ, como os ângulos internos de um triângulo devem somar 180°, o ângulo
α entre a força peso e a componente paralela deve ser
\[
\begin{gather}
\alpha+\theta+90°=180°\Rightarrow\alpha=180°-\theta-90°\Rightarrow\alpha=90°-\theta
\end{gather}
\]
As componentes do peso nas direções x e y são perpendiculares entre si, no triângulo à
esquerda temos que o ângulo entre a força peso
\( {\vec P}_{\small M} \)
e a componente do peso na direção y,
\( {\vec P}_{\small N} \),
é
\[
\begin{gather}
90°-\alpha\Rightarrow 90°-(90°-\theta)\Rightarrow 90°-90°+\theta\Rightarrow\theta
\end{gather}
\]
Desenhando os vetores em um sistema de eixos coordenados, na direção y a força peso
\( {\vec P}_{\small M} \)
e a força normal de reação
\( \vec N \)
se anulam, não há movimento nesta direção. Na direção x aplicando a equação (I)
\[
\begin{gather}
P_{\small P}+T_2-T_1=Ma \tag{II}
\end{gather}
\]
O ângulo θ é medido com o eixo-y, ao contrário do que se faz usualmente quando é usado
o ângulo com o eixo-x. A componente do peso na direção x é dada por (Figura 2-C)
\[
\begin{gather}
P_{\small P}=P_{\small M}\operatorname{sen}\theta \tag{III}
\end{gather}
\]
a força peso é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{P=mg} \tag{IV}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (IV) em (III) para a massa M
\[
\begin{gather}
P_{\small P}=Mg\operatorname{sen}\theta \tag{V}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (V) na equação (II)
\[
\begin{gather}
Mg\operatorname{sen}\theta+T_2-T_1=Ma \tag{VI}
\end{gather}
\]
Bloco 2:
- \( {\vec P}_{\small M} \): força peso do bloco 2;
- \( {\vec T}_1 \): força de tensão na corda 1;
- \( {\vec T}_2 \): força de tensão na corda 2.
Adotamos o sentido positivo para cima, no mesmo sentido da aceleração do sistema. Na direção horizontal não
há forças atuando no bloco. Na direção vertical aplicando a equação (I)
\[
\begin{gather}
T_1-T_2-P_m=ma \tag{VII}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (IV) em (VII) para a massa m
\[
\begin{gather}
P_m=mg \tag{VIII}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (VIII) na equação (VII)
\[
\begin{gather}
T_1-T_2-mg=ma \tag{IX}
\end{gather}
\]
a) Somando as equações (VI) e (IX) temos a aceleração do sistema
\[
\frac{\left.
\begin{align}
\;Mg\operatorname{sen}\theta+\cancel{T_2}-\cancel{T_1}=Ma \\
\;\cancel{T_1}-\cancel{T_2}-mg=ma
\end{align}
\right.}
{Mg\operatorname{sen}\theta-mg=Ma+ma}
\]
colocando a aceleração a em evidência do lado direito da igualdade e a aceleração da gravidade
g do lado esquerdo
\[
\begin{gather}
g(M\operatorname{sen}\theta-m)=a(M+m)
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
\bbox[#FFCCCC,10px]
{a=g\left(\frac{M\operatorname{sen}\theta-m}{M+m}\right)}
\end{gather}
\]
b) Substituindo o valor encontrado no item anterior na equação (IX)
\[
\begin{gather}
T_1-T_2-mg=mg\left(\frac{M\operatorname{sen}\theta-m}{M+m}\right) \\[5pt]
T_1-T_2=mg\left(\frac{M\operatorname{sen}\theta-m}{M+m}\right)+mg
\end{gather}
\]
colocando o termo mg em evidência do lado direito da igualdade
\[
\begin{gather}
T_1-T_2=mg\left(\frac{M\operatorname{sen}\theta-m}{M+m}+1\right)
\end{gather}
\]
dentro dos parênteses o fator comum entre 1 e (M+m) será (M+m), colocando sobre
o mesmo denominador
\[
\begin{gather}
T_1-T_2=mg\left(\frac{M\operatorname{sen}\theta-m+M+m}{M+m}\right) \\[5pt]
T_1-T_2=mg\left(\frac{M\operatorname{sen}\theta+M}{M+m}\right)
\end{gather}
\]
colocando o termo
\( \frac{M}{M+m} \)
em evidência
\[
\begin{gather}
\bbox[#FFCCCC,10px]
{T_1-T_2=\frac{Mmg}{M+m}\;\left(\operatorname{sen}\theta+1\right)}
\end{gather}
\]